13 fevereiro 2017

Mais uma perda...

ARQUIVO PESSOAL: Quando fomos a Alter do Chão...

Domingo Mari perdeu a vovó, e eu vou falar quem ela foi, pra quando a Mari crescer, sempre lembrar dela.

Uma breve história do que a IVANEIDE SOARES foi (e é), ela nasceu no Maranhão, em uma família de gente humilde, trabalhava desde sempre, era a segunda filha de meus avós, como ela dizia, foi peralta demais, estudou, casou, fez História na UFPA, me teve, três anos depois teve meu irmão, quando eu completei 15 anos, mamãe descobriu um dos primeiros nódulos, naquela altura, era uma calcificação, e tirou tomando remédios.
24 anos depois descobrimos o câncer (eu estava ao lado dela no Samaritano quando o médico falou que era benigno) ironicamente no mês do aniversário dela, e foi com a fortaleza que ela tinha, que aceitou o desafio da cura, em novembro no dia do meu aniversário de 29 anos, ela foi internada pra primeira cirurgia, tirou um quadrante do seio com problema, vieram as quimios e rádios (que eu ia levar), no meio desse turbilhão de coisas, ficamos sem tratamento por 30 dias (a máquina de radio quebrou), entramos com mandando de segurança pra continuar o tratamento, muitas náuseas, muita dor de cabeça, muito vômito, e muita força.
3 anos se passaram nasceu a neta tão sonhada, e esperada, e pra comemorar essa chegada, no ano seguinte resolvemos viajar pro Nordeste, porque faltava só um ano pra receber alta... em meio a nossa alegria uma tosse teimava em não curar.
Na volta, em uma consulta veio a confirmação essa doença maldita voltou, e mais um tratamento, agora com força total. mais náuseas, Mastectomia, dores de cabeça, e a força querendo sumir, quis se despedir de todos, mas não era daquela vez, ela resistiu.
A neta completou mais 1 ano, e perdemos meu irmão, foi um baque tremendo no emocional, e no tratamento, e ela baqueou a primeira, e aquele brilho no olhar foi começando a desaparecer, mas ela resistia, pela neta.
Outro baque, câncer metastático, havia passado do seio, pro pulmão e agora pros ossos, mas ela não se abalou, recebeu essa carga sorrindo, e acreditando que tudo iria curar. No meio do tratamento novo, precisou operar vesícula fantasma*, catarata, e a notícia: agora da coluna o câncer avançou pro cérebro, e ela com aquele amor de mãe, me poupou dessa notícia trágica.
Primeira internação, 13 dias, uma angústia, muito sofrimento, e uma infecção urinária, conseguimos voltar pro natal.
Virada de Ano: Segunda internação, mais 13 dias, glicemia em 549, corre pro hospital, mais sofrimento, cansaço e ela apresentava exaustão. 2017 começando sinistro.
Segunda (06/02) as dores dela aumentavam, e os olhos amarelaram, pedimos exames na terça que só ficou pronto quarta, pegamos o resultado e a confirmação, uma leve anemia, e níveis de potássio elevados: INTERNA.
DORES, MAIS DORES, CHORO, ANGÚSTIA, e ela não aguentava mais, pedia misericórdia. foi pro hospital para isolamento de paciente graves, e se passou sábado, o quadro foi piorando, no domingo de madrugada, eu aos prantos, disse finalmente: DEUS QUE SEJA FEITA A TUA VONTADE.
e minha mãe descansou na manhã de domingo.
Tá doendo, não vou mentir, dói, é um vazio sem tamanho, um buraco que ninguém consegue preencher, mas ao mesmo tempo vem um alívio... enfim ela perdeu pro câncer, mas venceu a dor.
Agora, tô chorando minha saudade, aquela dor sofrida, a lágrima não cessa, hoje foi a última vez que vi seu corpo, mas espero receber notícias.
VOCÊ QUE RECLAMA DA VIDA, VOLTA E RELEIA ESSE RELATO.

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