07 maio 2014

Sétimo dia de sua partida…

missa7odiaIMPRESSAO

Hoje na missa de Sétimo dia de falecimento do meu único irmão eu não podia despedir-me dele se falar sobre quem ele foi e representou pra mim, então estou transcrevendo o que disse na igreja.

Falar do meu irmão Bruno é algo tão natural, porque as palavras fluem, o estranho é pensar que a partir de agora todo verbo que utilizar para me referir a quem ele é, será no pretérito imperfeito.

O Bruno foi concebido, amado e aguardado como todo pai e mãe que anseiam por um filho o fazem, mamãe não sabia o sexo e porque naquela época a ultrassom era algo caro e meu pai sabia que seria um menino, veio 3 anos depois de mim, eu gostava da ideia de ter um irmão, porque até conversava com ele na barriga da minha mãe. Mamãe não cansava de dizer como foi o parto dele, dizia que ele não queria nascer, acho que já sabia que este mundo era muito cruel para um cara como ele.

Cresceu, começou a estudar, fez amigos, mas diferente de mim, meu irmão sempre conseguiu MANTER suas amizades, tem amigos desde os tempos que estudava alfabetização, amigos estes que estão aqui compartilhando de nossa dor.

O Bruno, sempre foi discreto, um cara ótimo para contar segredos, porque ele sim sabia manter sigilo, podia confiar até a senha do cofre, porque ele manteria essa informação tão bem guardada, até mesmo dele (que a memória as vezes falhava).

Escolheu ser publicitário ainda com 15 anos, em uma dessas feiras de vestibular, e manteve a vontade até ingressar em uma faculdade, e foi aí que ele conheceu as agruras do que era sua profissão. Sempre gostou do que fazia, mas gostava mais das amizades que ia encontrando pelo caminho, do conhecimento que vinha adquirindo, da experiência que ia acumulando. Sim ele era um cara que estudava seus próprios passos milimetricamente, era perfeccionista ao extremo.

Então o Bruno, aquele que só a família conhecia, tinha uma fragilidade de criança, que vivia triste, que foi gordo quase que a vida inteira, até descobrir o outro que existia dentro dele, um Bruno que era magro, mas que era conhecido como BRUNÃO, esse era novo, mais feliz, que viveu os últimos anos da vida CURTINDO o que a gordura não deixou por 22 anos.

Depois veio a notícia que iria ser tio, foi a notícia mais maravilhosa que poderia esperar, e quando descobriu que era menina, chorou, chorou feliz, porque ele desejava que fosse mesmo uma menina, sonhou um mundo lindo para ela, traçou uma vida inteira para a sobrinha, planejou o primeiro aniversário, e os seguintes... tinha um sonho de levá-la pra viajar com ele.

O Bruno sempre iluminado e tão amado, tão amado, que quando partiu, até o céu chorou sua ida, vários rostos que eu conhecia apenas por foto em meio a sorrisos abertos, naquele fatídico dia, estavam chorando, e pedindo que aquilo fosse mentira.

Poxa meu irmão, hoje estou aqui, lendo isso para você, rezando que seu sofrimento, aquela dor que você sentia tenha passado, lembrando-me de tantos planos que tínhamos, para a gente, para a NOSSA MARIANA (como você costumava falar), e agora estamos aqui tentando resgatar em cada amigo seu um pedaço de você para continuar vivendo, tentando superar o que parece impossível de ser superado, estamos tentando viver a vida sem você. Pode acreditar tá difícil, tá doendo, mas estamos tentando, porque sabíamos que você não gostava de nos ver tristes, e é por você que vamos tentar.

Te amamos muito. Vai em Paz meu irmão.

 

Saudades infinitas…

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